Criação de fundações: resumo do estudo de melhores práticas
Criando uma Fundação
Outubro 2001

Este é um extrato do livro Criação de Fundações. Um guia prático baseado em experiências na África, Ásia e America Latina.
 

O livro, Criação de Fundações, foi escrito por A. Scott DuPree e David Winder com Cristina Parnetti, Chandni Prasad e Shari Turitz.

Todas as vezes em que uma fundação de financiamento de projetos sociais é criada, o desafio exige criatividade suficiente para, muitas vezes, "reinventar a roda" e um grande investimento de tempo e recursos por parte das pessoas e organizações engajadas. Quando os funcionários, o conselho e/ou os fundadores têm acesso a informações sobre práticas e estratégias que deram resultado em outras organizações, eles podem aproveitar essa experiência para aumentar suas chances de sucesso. Com essa finalidade, este guia busca ser uma ferramenta para partilhar informações e experiências entre organizações, de modo a ajudar os militantes a fortalecerem suas próprias organizações. O guia apresenta experiências e materiais reais de fundações do mundo todo, extraídas de duas fontes principais:

  • Material de primeira mão de fundações de financiamento de projetos sociais do Hemisfério Sul, como declarações de missão, planos estratégicos, descrições de cargos, material do conselho e estudos de caso
  • Pesquisas e estudos complementares sobre fundações, incluindo a série do Synergos de estudos de casos de fundações da África, Ásia e América Latina.

    As organizações que são o objeto deste guia compartilham características comuns. Respondendo a condições operacionais muito diferentes, elas desempenham um papel central e estratégico no fortalecimento da sociedade civil em seus países. Sua vantagem comparativa como mobilizadoras de recursos em relação a vários outros agentes da sociedade civil lhes permite obter um grande efeito tanto ao estimular novos financiamentos quanto ao conectar ou levar os recursos financeiros ao nível da comunidade, onde eles podem causar maior impacto. Em especial, elas são insuperáveis em:

    • Fornecer recursos para atividades da sociedade civil (em uma série de áreas como artes, meio ambiente, amenização da pobreza, agricultura e educação) em seus países através de financiamentos e também, às vezes, de outros mecanismos, como empréstimos
    • Levantar diversas fontes de financiamento para projetos e programas de organizações da sociedade civil
    • Ajudar as agências de assistência do Hemisfério Norte a canalizar recursos para a sociedade civil de forma mais sustentável e eficaz
    • Atuar como interface entre a sociedade civil, o governo e os setores empresariais no debate sobre políticas públicas.

    O guia usa o termo "fundação de financiamento de projetos sociais" em sentido amplo, por ser prontamente compreendido pelas pessoas que trabalham nessa área. Deve-se notar, no entanto, que não há um consenso universal sobre o uso desse termo. Ele é usado aqui por consistência, mas poderia muito bem ser substituído por outros termos, entre eles "fundos de financiamento", "ONGs de financiamento" ou mesmo "organizações provedoras da sociedade civil". Até mesmo o significado da palavra "fundação" varia nas diferentes regiões do mundo, pois os contextos legais, filantrópicos, culturais e históricos também variam de forma significativa de um país para outro.

    O guia tem por objetivo ser útil especialmente aos que atuam nas fundações: funcionários de alto escalão, conselho e fundadores. Ele recorre intensamente à experiência de fundações de financiamento, mas esperamos que as informações e experiências também se mostrem úteis a outros tipos de financiadores, entre eles as fundações de empresas, os fundos familiares e os fundos de desenvolvimento autônomos paragovernamentais. Embora cada organização tenha suas peculiaridades, a experiência apresentada neste guia revela paralelos no processo de desenvolvimento institucional. Dentre eles, o fato dos agentes terem de lidar com tarefas específicas nas diferentes etapas do desenvolvimento de suas organizações:

    • Reunir um público ativo
    • Levantar e desenvolver uma fonte sustentável de renda
    • Desenvolver uma equipe profissional qualificada
    • Implantar sistemas de contabilidade
    • Planejar o crescimento estratégico
    • Recrutar e desenvolver uma unidade diretora (como um Conselho).

    Como o guia é organizado

    O guia é dividido em cinco seções correspondentes a áreas-chave para a criação e o fortalecimento das fundações:

    • Formação reúne a experiência de grupos que tiveram sucesso em obter apoio para a idéia e estabelecer fundações em seus países
    • Administração e desenvolvimento institucional focaliza o modo como as fundações montaram e utilizaram seus conselhos e tomaram as decisões centrais sobre os planos e a administração financeira da organização.
    • Prioridades programáticas analisa os papéis que as fundações desempenham em seus países e como planejam e executam programas para atingir seus objetivos. Um dos focos centrais dessa seção é o desenvolvimento de programas de financiamento.
    • angariar fundos e outros recursos para apoiar atividades da sociedade civil, tanto os recursos administrados por elas como os que vão diretamente para as organizações que as fundações procuram apoiar.
    • Comunicação examina os meios usados pelas fundações para produzir materiais de comunicação que obtêm sucesso em divulgar seus programas e aumentar a conscientização do público.
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